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O número de empresas brasileiras que recorreram à recuperação judicial subiu 66% entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, somando 6.341 casos. O avanço acontece em um ambiente de crédito mais restrito e custos financeiros elevados, e vem sendo puxado sobretudo pelo agronegócio, além dos setores de transporte, logística e varejo.
Um dos principais motivos por trás do aumento dos pedidos é o encarecimento do crédito. Conforme os dados do levantamento, a taxa básica de juros permanece em nível elevado, ao mesmo tempo em que os custos das linhas de capital de giro para as empresas cresceram de forma expressiva nos últimos anos.
As taxas de juros para capital de giro, que estavam abaixo de 11% ao ano em 2020, chegaram a cerca de 23% em 2026, o que dificulta a renovação de dívidas e o acesso a novos recursos. Paralelamente, a inadimplência entre as empresas também avançou no período.
O agronegócio é um dos grandes destaques nesse crescimento. O número de empresas do setor em recuperação judicial aumentou 66% em 12 meses, chegando a 1.263 CNPJs ao fim do primeiro semestre de 2026, segundo dados do Monitor RGF-BIZDOC.
A pressão sobre o setor está ligada a uma combinação de fatores, entre eles a queda nos preços das commodities, o aumento dos custos de produção, os juros elevados e as perdas causadas por eventos climáticos.
Apesar de historicamente recorrer menos à recuperação judicial, o agronegócio passou a registrar mais casos à medida que as dificuldades financeiras se somaram a mudanças na legislação que ampliaram o acesso ao instrumento, levando produtores e empresas da cadeia a buscar a Justiça para reorganizar suas dívidas.
No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, o setor registrou 517 pedidos de recuperação judicial, alta de 33% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
De modo geral, empresas de maior porte tendem a ter mais estrutura para utilizar tanto a recuperação judicial quanto mecanismos extrajudiciais de renegociação, enquanto as pequenas e médias podem encontrar mais dificuldade para arcar com os custos e a complexidade do processo.
O salto de 66% nos pedidos evidencia o peso do ambiente financeiro sobre as empresas brasileiras. Em setores como o agronegócio, a soma de crédito caro, queda de preços e problemas climáticos intensificou a pressão sobre o caixa e levou um número cada vez maior de companhias a buscar a reestruturação de suas dívidas.
Fonte: Com informações de Contábeis
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